| Era uma vez Uma linda Carochinha, Formosa e bonitinha, Que enquanto varria a cozinha, Encontrou uma moedinha.
Contente a Carochinha Um vestido novo comprou, E à janela cantou: “Quem quer casar com esta Carochinha Tão formosa e bonitinha, quem quer?”
“Quero eu, quero eu” disse o Cão. “E que tens para me dar?” Perguntou a Carochinha Tenho esta moedinha, minha Carochinha, Sou trabalhador, e muito poupado, Um bom lar te posso dar.
Cão, diz a Carochinha, tens pouco para me dar, Contigo não vou casar. E voltou a cantar: “Quem quer casar com esta Carochinha Tão formosa e bonitinha, quem quer?”
“Quero eu, quero eu” disse o Gato. “E que tens para me dar? Perguntou a Carochinha. Um sapato de cristal Que condiz com o teu avental, Que tal? Não serei eu o ideal? Gato, diz a carochinha, tens pouco para me dar, Contigo não vou casar. E voltou a cantar: “Quem quer casar com esta Carochinha Tão formosa e bonitinha, quem quer?” | “Quero eu, quero eu” disse o Burro a zurrar! “E que tens para me dar?” Perguntou a Carochinha. Tenho resmas de palha a fartar, No quentinho iremos ficar Muito conforto te irei dar.
Burro, diz a carochinha, tens pouco para me dar, Contigo não vou casar. E voltou a cantar: “Quem quer casar com esta Carochinha Tão formosa e bonitinha, quem quer?”
Quero eu, quero eu, disse o João Ratão, De fato novo e todo Pimpão, Com o seu ar de bonacheirão, Retorquiu esta canção:
“Ouro, joias e moedas a brilhar, São os tesouros que tenho para te dar, Não vai ser preciso poupar, Nem sequer trabalhar, Passaremos os dias a gastar!” João Ratão, diz a Carochinha, com tanto para me dar, Contigo irei casar. O dia do casamento chegou, E a Carochinha se embelezou, De vestido branco passeou, E quando à Igreja chegou, O João Ratão não encontrou. “Onde estará o meu amado, Por quem tanto tenho esperado, Só pode estar adoentado, Pois se não, já teria chegado, Ou terei eu na minha escolha errado?” |  |
| Na verdade, mal sabia a Carochinha. O que se passava na sua cozinha, Estava lá o seu amado, Na panela debruçado, Apenas interessado nos petiscos que lá tinha.
De tão guloso que era, revelou o que queria, Afinal, que amor era esse? Ele apenas tinha interesse, Pois não havia igual iguaria, àquela que via. “Que grande cozinheira, esta Carochinha, disso eu sabia” E assim, a Carochinha chorou, Com o João Ratão não casou, Pois viu que na sua escolha errou, Escolheu o marido que a encantou, Apenas porque abastado se mostrou. Afinal, devia ter escolhido outro marido, Mas quem devia ter sido? A Carochinha, um maior cuidado devia ter tido, E havia de ter ouvido, o que lhe haviam dito. Poupava a sua moedinha, e melhor escolhia o seu preferido.
Sem ser preciso poupar, ou sequer trabalhar, O que poderia a Carochinha ganhar? É sempre melhor bem pensar, Pois asneira pode dar! |